VACINAS NA GRAVIDEZ 2026: QUAIS SÃO INDICADAS E QUANDO TOMAR
A vacinação durante a gravidez é uma das medidas preventivas mais importantes do acompanhamento pré-natal. Algumas vacinas protegem diretamente a gestante contra infecções que podem ser graves durante a gravidez, enquanto outras têm como principal objetivo transferir anticorpos ao bebê antes do nascimento, protegendo o recém-nascido nos primeiros meses de vida, quando ele ainda não pode ser vacinado.
A ideia de tomar vacinas durante a gestação ainda gera dúvidas e insegurança em muitas gestantes. No consultório, é comum ouvir perguntas sobre se as vacinas são seguras, se podem prejudicar o bebê ou se devem ser evitadas em alguma fase da gravidez.
O que a prática clínica e o calendário vacinal oficial mostram é que as vacinas indicadas para gestantes são seguras, necessárias e fazem parte de um cuidado que começa antes mesmo do nascimento do bebê.
POR QUE VACINAR DURANTE A GRAVIDEZ
Durante a gestação, o sistema imunológico da mulher passa por adaptações para tolerar o bebê, o que pode deixá-la mais vulnerável a algumas infecções. Ao mesmo tempo, certas doenças infecciosas têm um impacto muito mais grave quando ocorrem durante a gravidez, podendo afetar diretamente o desenvolvimento fetal ou aumentar o risco de complicações para a mãe.
A vacinação atua nesse contexto de duas formas complementares. Primeiro, protege a gestante contra doenças que poderiam ser perigosas durante a gravidez. Segundo, e talvez ainda mais importante, permite que os anticorpos produzidos pela mãe sejam transferidos ao bebê ainda durante a gestação, por meio da placenta. Esse mecanismo, chamado de imunidade passiva, protege o recém-nascido nos primeiros meses de vida, período em que ele ainda não tem maturidade imunológica suficiente para responder às suas próprias vacinas.
Na prática clínica, o calendário vacinal da gestante é discutido desde a primeira consulta de pré-natal, e a atualização das vacinas faz parte do plano de acompanhamento gestacional de cada paciente.
VACINAS INDICADAS PARA GESTANTES EM 2026
O calendário vacinal para gestantes no Brasil é definido pelo Ministério da Saúde e atualizado periodicamente. As vacinas abaixo são as principais indicadas para gestantes em 2026 e estão disponíveis tanto na rede pública quanto em clínicas privadas.
VACINA INFLUENZA (GRIPE):
A vacina contra influenza é indicada para gestantes em qualquer trimestre da gravidez e é renovada anualmente, pois a composição da vacina é atualizada conforme as cepas circulantes de cada ano. A gripe pode ser mais grave durante a gestação, com maior risco de complicações respiratórias, e a vacinação protege tanto a mãe quanto o bebê nos primeiros meses após o nascimento.
VACINA dTpa (DIFTERIA, TÉTANO E COQUELUCHE):
A dTpa é a vacina mais estratégica do calendário gestacional do ponto de vista da proteção do recém-nascido. Ela é indicada entre 20 e 36 semanas de gestação, preferencialmente entre 27 e 36 semanas, para garantir a transferência máxima de anticorpos ao bebê antes do parto. A coqueluche é uma doença especialmente perigosa para recém-nascidos, que ainda não podem receber a vacina nas primeiras semanas de vida. A imunidade transferida pela mãe é a principal proteção do bebê nesse período.
VACINA HEPATITE B:
A vacina contra hepatite B é indicada para gestantes que não têm o esquema vacinal completo. A hepatite B pode ser transmitida da mãe para o bebê durante o parto, e a vacinação materna, combinada com medidas no momento do nascimento, reduz significativamente esse risco.
VACINA CONTRA O VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO (VSR):
A vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, em dose única, conforme avaliação médica e orientação do Ministério da Saúde. Seu principal objetivo é proteger o bebê contra formas graves de infecções respiratórias nos primeiros meses de vida, como bronquiolite e pneumonia associadas ao VSR.
Quando a gestante é vacinada, ela produz anticorpos que atravessam a placenta e ajudam a proteger o recém-nascido logo após o nascimento, período em que o bebê ainda é mais vulnerável a complicações respiratórias.
VACINAS ADICIONAIS CONFORME AVALIAÇÃO CLÍNICA:
Dependendo do histórico vacinal e das condições de saúde de cada gestante, outras vacinas podem ser avaliadas individualmente pelo médico, como a vacina contra hepatite A em situações específicas de risco.
VACINAS QUE DEVEM SER EVITADAS NA GRAVIDEZ
Vacinas compostas por vírus vivos atenuados são contraindicadas durante a gestação, pois existe risco teórico de infecção fetal. As principais vacinas que não devem ser administradas durante a gravidez são:
- Vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)
- Vacina varicela (catapora)
- Vacina febre amarela, exceto em situações de risco epidemiológico elevado e avaliação médica individualizada
- BCG (tuberculose)
Se a gestante não é imunizada contra rubéola ou varicela, a vacinação deve ser realizada antes de engravidar ou após o parto, nunca durante a gestação. Esse é um dos motivos pelos quais o exame pré-concepcional e a atualização vacinal antes da gravidez são tão importantes.
CALENDÁRIO VACINAL POR TRIMESTRE
A organização das vacinas ao longo dos trimestres ajuda a planejar o calendário com antecedência e garante que cada dose seja aplicada dentro da janela ideal.
PRIMEIRO TRIMESTRE:
- Influenza: pode ser aplicada assim que disponível, em qualquer trimestre
- Avaliação do histórico vacinal completo e identificação de doses em atraso
SEGUNDO TRIMESTRE:
- Influenza: se não aplicada no primeiro trimestre
- Início do planejamento para a dTpa
TERCEIRO TRIMESTRE:
- dTpa: idealmente entre 27 e 36 semanas
- Hepatite B: completar o esquema se incompleto
- Revisão geral do calendário vacinal antes do parto
CUIDADOS PRÁTICOS APÓS A VACINAÇÃO
A maioria das gestantes tolera bem as vacinas indicadas durante a gravidez. Alguns cuidados simples após a aplicação ajudam a lidar com as reações esperadas.
RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS:
- Permanecer no local de vacinação por pelo menos 20 a 30 minutos após a aplicação para observação de reações imediatas
- Aplicar compressa fria no local da injeção em caso de dor ou inchaço localizado
- Manter boa hidratação no dia da vacinação
- Repouso se houver sensação de mal-estar leve após a dose
- Comunicar à médica qualquer sintoma diferente dos esperados
Reações leves como dor no local da aplicação, vermelhidão e leve mal-estar são esperadas e fazem parte da resposta imunológica normal. Febre baixa pode ocorrer, mas febre alta ou sintomas prolongados devem ser comunicados à médica.
O QUE NÃO FAZER EM RELAÇÃO ÀS VACINAS NA GRAVIDEZ
Algumas atitudes comuns podem comprometer a proteção oferecida pelas vacinas ou gerar riscos desnecessários durante a gestação.
EVITAR:
- Tomar qualquer vacina sem orientação médica, mesmo que pareça segura
- Deixar de tomar as vacinas indicadas por medo ou desinformação
- Aplicar vacinas de vírus vivos sem avaliação médica
- Aguardar o final da gravidez para atualizar o calendário vacinal, perdendo a janela ideal de algumas doses
- Buscar informações sobre vacinas em fontes não confiáveis sem consultar a médica
SINAIS DE ALERTA APÓS A VACINAÇÃO
A grande maioria das reações às vacinas indicadas para gestantes é leve e passageira. No entanto, algumas situações exigem avaliação médica.
PROCURE ATENDIMENTO SE APRESENTAR:
- Febre alta (acima de 38,5°C) que não cede com medidas habituais
- Reação alérgica intensa, com urticária generalizada, inchaço no rosto ou dificuldade para respirar
- Dor intensa e crescente no local da aplicação após 48 horas
- Qualquer sintoma incomum que surja nas horas ou dias seguintes à vacinação
Reações alérgicas graves às vacinas são raras, mas existem. Por isso, a recomendação de permanecer em observação após a aplicação é sempre válida.
A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO MÉDICA NO CALENDÁRIO VACINAL
O calendário vacinal da gestante não é igual para todas. Ele depende do histórico de vacinação prévio, das condições de saúde maternas, da fase da gravidez e do contexto epidemiológico local. Por isso, a definição das vacinas indicadas para cada gestante deve ser feita em conjunto com a médica responsável pelo acompanhamento pré-natal.
Na Clínica Diagnose, em Brasília, a avaliação do calendário vacinal faz parte do acompanhamento gestacional desde a primeira consulta. Cada gestante recebe orientações individualizadas sobre quais vacinas tomar, quando e como se preparar para cada dose, sempre com foco na proteção da mãe e do bebê.
PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE VACINAS NA GRAVIDEZ
- As vacinas podem prejudicar o bebê durante a gravidez?
As vacinas indicadas para gestantes são seguras e não prejudicam o bebê. Elas são compostas por vírus inativados ou fragmentos proteicos que não têm capacidade de causar infecção. As únicas vacinas contra indicadas na gestação são as de vírus vivos atenuados, que a médica orientará a evitar. - Posso tomar a vacina da gripe em qualquer trimestre?
Sim. A vacina influenza pode ser aplicada em qualquer fase da gestação e é especialmente importante porque a gripe pode ter um curso mais grave durante a gravidez. A proteção gerada também é transferida ao bebê. - Por que a dTpa é tão importante na gravidez?
Porque a coqueluche é uma doença potencialmente grave para recém-nascidos, que ainda não podem receber a vacina nas primeiras semanas de vida. A vacinação da mãe entre 27 e 36 semanas garante a transferência de anticorpos ao bebê antes do nascimento, protegendo-o nas primeiras semanas de vida. - E se eu não tomar a dTpa no momento certo?
Se a dose não foi aplicada dentro da janela ideal, a médica avaliará a melhor conduta. Em alguns casos, a vacina pode ser aplicada próxima ao parto ou logo após, e o pai e outros cuidadores próximos ao bebê também podem ser vacinados como estratégia complementar de proteção. - Preciso tomar a vacina da gripe todo ano mesmo já tendo tomado na gravidez anterior?
Sim. A composição da vacina influenza é atualizada anualmente conforme as cepas circulantes. A dose de um ano não protege para o ano seguinte, por isso a vacinação anual é necessária, inclusive em gestações subsequentes. - É possível tomar mais de uma vacina no mesmo dia durante a gravidez?
Em alguns casos sim, dependendo das vacinas envolvidas. Essa decisão deve ser tomada pela médica, que avaliará quais combinações são seguras e adequadas para o momento da gestação de cada paciente.
CONCLUSÃO
A vacinação durante a gravidez é um dos cuidados preventivos mais eficazes disponíveis no acompanhamento pré-natal. Proteger a gestante e garantir que o bebê chegue ao mundo com anticorpos transferidos pela mãe é uma estratégia simples, segura e com impacto real na saúde materno-infantil.
Atualizar o calendário vacinal não é uma etapa isolada do pré-natal. É parte de um acompanhamento que começa cedo, é conduzido com atenção individualizada e considera cada detalhe da saúde da gestante e do desenvolvimento do bebê. Se você ainda tem dúvidas sobre quais vacinas tomar durante a sua gestação, leve essa pergunta para a próxima consulta de pré-natal. Essa conversa pode proteger suas vidas ao mesmo tempo.
As orientações apresentadas neste artigo seguem a rotina de acompanhamento obstétrico utilizada na prática clínica e nas principais diretrizes de assistência pré-natal.
Dr. José Paulo da Silva Netto – Médico Ginecologista e Obstetra
CRM: 8487 | RQE 148876 | RQE 1488761